"Os ultra-ricos preparam um mundo pós humano", Douglas Rushkoff

Durante um breve período, no início da década de 1990, a possibilidade de aplicação das tecnologias aos mais variados aspectos da vida humana, surgiu com a premissa de tornar as relações sociais mais inclusivas, igualitárias e justas. Contudo, não demorou muito para que o potencial de lucro do mercado high-tech fosse notado e explorado pelas grandes empresas, fazendo com que este passasse a seguir a lógica capitalista liberal. Assim, o desenvolvimento técnico-científico deixou de possuir um caráter coletivo e abrangente, para se tornar mais uma ferramenta segregacionista da globalização.

Como exemplificado no texto de Douglas Rushkoff, questões polêmicas e, de certo modo, fantasiosas — como o modelo político das colônias de Marte — ganham mais espaço e atenção nas discussões midiáticas do que problemas éticos reais, que já afetam de maneira drástica populações pobres de todo o mundo, como o trabalho escravo na cadeia de produção de bens de consumo e os impactos ambientais causados pela indústria de combustíveis fósseis. Nota-se que as grandes corporações favorecem a criação de utensílios que visam a perpetuação da vida das elites em mundo pós humano, em detrimento de mecanismos úteis, que poderiam auxiliar pessoas de todas as classes em seus cotidianos, como o aperfeiçoamento do sistema de transporte compartilhado e de transportes alternativos, e o desenvolvimento de combustíveis menos poluentes.

De certo, se os grandes tecnólogos e empresários estivessem, hoje em dia, absortos nas questões ambientais e sociais, eles não iriam precisar se preocupar com a autopreservação em um futuro caótico criado por eles mesmos.

Comentários

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  2. Me incomoda demais ver o dinheiro (um pedaço de papel!) ditando as regras do mundo. A humanidade e a natureza (a vida!) que deveriam sempre ser o foco político e científico. Não faz sentido tanto "avanço" e "desenvolvimento" se ocorrem sufocando o meio ambiente, a empatia e a sobrevivência do planeta.

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  3. Realmente, a visão da tecnologia como algo feito pelos e para os ricos parece se confirmar quando pensamos em projetos “faraônicos”, que só serveriam para estabelecer a ilusão do homem enquanto ser ilimitado é imbatível (como nos casos de colonizações espaciais e programas de seleção genética). Um capital que, ao invés de alimentar as fantasias a respeito da superioridade do homem, poderiam ser aplicadas para o bem social.

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  4. Siiim! É um absurdo pensar que tem pessoas muito ricas colocando outras para trabalhar em um projeto que só vai "salvar" alguns. Nenhum deles está realmente preocupado com o presente, definitivamente eles aceitaram que não há mais jeito para o agora, só estão pensando no futuro de uma forma completamente individualista.

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  5. A colocação final é uma síntese perfeita do texto de Rushkoff, que estranha o fato de não haver iniciativas notáveis para que se possa evitar ou minimizar os efeitos de um vindouro "evento" sobre a população geral.

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  6. É alarmante o fato de estes multimilionários quererem fugir dos problemas pelos quais eles possuem grande responsabilidade, ao invés de investirem em soluções para remediar tais mazelas.

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